domingo, junho 13, 2004

Fragmentos de um Diário do Rock de Anos Atrás

Antes de tudo, antes que alguém brinque com o título, eu sei que os "anos" só podem estar mesmo atrás...
Muitos de nós (pelo menos os mais inteligentes da espécie)crescemos ouvindo o bom e velho rock em suas múltiplas variações. Mesmo que este não fosse o nosso estilo preferido desde o berço, ele sempre esteve lá, invadindo nossos ouvidos e mentes, marcando seu território. Não importa se made in USA, Inglaterra, Alemanha ou Pindorama. Quem, com mais de 25 anos, enquanto assistia na tv aos clips de artistas do mundo pop em geral, não aprendeu a curtir Scorpions, Van Halen, Kiss, Iron Maiden, Quiot Riot, Black Sabbath, Deep Purple, Uriah Heep, Plebe Rude, Ira, Sepultura e bandas afins?
No início dos anos 90, um bando de cabeludos se reunia para ouvir os discos desses grupos e tentar tirar as notas das músicas na guitarra ,violão etc. Esse estilo de vida invadia a Zona Oeste ,baixada e outras zonas por aí afora. O marco zero desse período talvez tenha se dado com o evento chamado Arena do Heavy . Este show foi realizado no longínquo ano de 1990 no Teatro de Arena Elza Osborne (nome sugestivo, não?) e contava com a participação de bandas de heavy tradicional (Steel), death-thrash (Kalidor, Dementia), hardcore (Anti-Tímpanos), entre outras. Compareceram, naquela noite fria de inverno, pessoas dos mais variados gostos musicais e que ali, assistiram à plantação de uma semente que faria de Campo Grande a Seattle carioca. Ali estava o embrião de bandas como: Blasted, Blockhead, Gangrena Gasosa , Sanskrit, Pandemonium, Eternal Desolation, Cancro, Brutal Symphony,Poindexter ,Bodhisatva, Ravena e Hang (paraíba é a mãe!), só pra ficar em algumas.
Foi um período importante, por ser a era da MTV aberta, onde tínhamos contato com os trabalhos de um Metallica, um Sanctuary, Testament , Faith No More, Guns, Slayer, Nirvana e muitos outros. O sentimento era que vivíamos num mundo à parte, gente com interesses em comum (mas nem sempre), formando nossos próprios grupos, fazendo nosso som, empenhados em tocar bem (ou não) nossos instrumentos, indo aos Garages, aos Canis Pubs (lembra desse, Felipe?) e Circos Voadores da vida. Em suma , vivenciando o underground como uma enorme família (uma que pudemos escolher). Em breve viria o Rock in Rio II, trazendo Sepultura, Megadeth, Qüeensryche, Judas Priest etc.
No caso deste que escreve estas mal-traçadas linhas, foi um fenômeno interessante, pois em apenas 6 meses de convivência diária com os headbangers mais antigos, conheci toda a obra do Iron, Metallica, , Helloween, Malmsteen e tudo que chegava aos meus ouvidos. Era como se tivesse comprimido todas as décadas de rock passadas num curto espaço de tempo (isso é importante, pretendo voltar a esse assunto mais tarde)... Eu que começara a aprender a tocar violão alguns anos antes, ganhei minha 1ª guitarra (uma Golden) e, 2 anos depois, estaria entrando para a banda de heavy que teve uma trajetória relativamente curta: o Ravena. E é dela que falarei em seguida.
Continua...



Ravena em sua formação clássica