sábado, julho 31, 2004

O que é um radical moderado?

Parece um contra-senso, mas o termo designa aquele que, mesmo sendo radicalmente contra algo que observa ou ouve, por exemplo, ainda assim consegue manter o distanciamento necessário para buscar entender porque certas pessoas agem assim ou assado.
Olhando agora, vejo que sempre fui meio desse tipo, que procura respeitar as diferenças. Talvez por ser eu mesmo um outsider (alguém à margem), um estranho no ninho (mesmo nos grupos que escolhia- de desenho, bandas de rock etc.). Mesmo na época em que passei a curtir heavy metal, e vivendo num meio onde quase todos odiavam o Sistema e seus mantenedores, os mauricinhos e patricinhas, playboys e até os rockeiros "posers" (os cabeludos ficavam uma fera com o vocalista do Engenheiros do Hawai batendo cabeça no clip de "O Papa é Pop")!
Há muitas coisas que não consigo suportar e, nesse sentido, posso ser um tanto radical. Na música :uma boa parte do funk nacional, new-sertanejo, axé e certos grupos de pagode pós-anos 80. No âmbito geral: modismos, preconceito (racial, de credo ou qualquer outro), corrupção, guerras, tráfico de drogas, armas e todo tipo de violência contra o ser-humano. Porém, aprendi desde cedo a não ser juiz, júri e carrasco de ninguém (os estudos nos campos da Antropologia, Filosofia e Psicologia e religião oriental certamente ajudaram a consolidar esse pensamento em mim). De certa forma, eu odeio o funk que é feito hoje em dia, não os funkeiros! Também já sofri preconceito por andar de preto e usa cabelos compridos, ouvindo metal pesado! Eu sou contra modismos, mas acho legal acompanhar a moda através dos tempos (adoro a moda hippie e as calças boca-de-sino dos anos 60). O que sou contra é ser escravo da moda. Sou contra, em suma, tudo aquilo que embota nosso raciocínio e gera desavenças, ou simplesmente nos torna seres rasteiros e fúteis.
Sempre tem aquele que diz que fulano é excroto pelo modo com se veste, ou fala, ou pensa! E isso pra mim, muitas vezes, acaba sendo nada menos do que excroto!!! Tem gente que crê que bom-senso é a qualidade daqueles que pensam como elas...
Resumindo, é a velha questão da hierarquia de valores da qual já falei. Se acreditamos na chamada evolução, seja em que nível for (mental, espiritual, comportamental etc. e tal), constatamos que há coisas que devem ser deixadas de lado ou então, cultivadas. Até que provem o contrário, ninguém tem a receita de viver ou a resposta definitiva para as questões mais básicas da humanidade. Então por que tantos se acham os donos da Verdade? Nietzsche dizia que as convicções são prisões. Até quando seremos prisioneiros de nossas tolas intolerâncias? Quando daremos importância às coisas que nos fazem crescer juntos em vez dos individualismos ou dos agrupamentos voltados para o próprio umbigo?