quarta-feira, agosto 11, 2004

"A mão que afaga...

...é a mesma que apedreja."... Nunca uma verdade tão grande foi dita em poesia ( talvez nem mesmo em prosa )!!!
Assim como Dr. Jekill e Mr. Hyde, o bicho-homem é capaz dos gestos mais sublimes tanto quanto dos mais grotescos. Quem, por exemplo, nunca sofreu uma decepção com o melhor amigo ou com a pessoa em que depositava a maior confiança? Quem respondeu negativamente, provavelmente viveu ainda pouco ou tinha seus olhos vendados no momento exato em que a atitude inesperarada ocorreu...
No meu caso específico, certa vez, me vi em meio à noite mais escura de minha vida e, tudo que obtive de alguém que se encaixa na descrição acima foram palavras tão devastadoras quanto uma bomba nuclear ( tem gente que diz: "o que eu posso fazer?" como quem diz : "foda-se!"). E, naquela ocasião, a noite mais escura se juntou ao dia mais sombrio. O ocorrido me mostrou que ninguém é o que a gente pensa que é, e, dali por diante, não haveriam mais pessoas "especiais" para mim, justamente porque TODOS somos especiais! Como também todos somos falíveis, perdoei de coração aquelas palavras (como sempre faço); mas, desde então, estes versos passsaram a ter um significado diferente pra mim:
Versos Íntimos (Augusto dos Anjos)

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


Toda noite, peço em minhas orações que jamais te faça chorar, mesmo sendo capaz. Pois como o escorpião que deve picar até quem o ajuda, faz parte da nossa natureza ser imprevisíveis...