sábado, novembro 27, 2004

Amizades verdadeiras

Durante algum tempo, andei questionando sobre a forma como as pessoas na sociedade atual lidam umas com as outras. Não é culpa do mesmo, mas não se pode negar que o próprio sistema capitalista acaba contribuindo para que tenhamos ao nosso redor, às vezes sem perceber, uma relação de troca (ou mesmo compra e venda) baseada na vantagem que isso ou aquilo me oferece. Assim, tem sempre um baba-ovo perto do chefe, que, por sua vez, elogia a funcionária mais produtiva (ou a mais gostosa), que tem interesse em subir na empresa. E isso começa logo cedo. Quem, nos tempos de colégio não percebeu que não era uma boa idéia se misturar com os "nerds" da turma, sob o risco das garotas não olharem mais pra você (a não ser que elas mesmas também fossem "nerds"- esse termo é horrível). O lance era estar ao lado da galera "popular"...
Quantas vezes, nos aproximamos de alguém, não pelo que ela podia nos oferecer em termos de alguns momentos de diversão, conhecimento lato senso (Felipe, eu não acredito que consegui encaixar essa palavra num texto! hehe), oportunidade de ascensão profissional, fuga da solidão (só pra ter companhia) ou qualquer outro interesse ou vantagem, somente pelo que essa pessoa é?
Além disso, existe quase sempre uma cobrança, seja de proximidade, visitas ou atenção. Acabamos nos tornando gerentes da vida alheia e queremos que o outro faça exatamente o que desejamos. Muitos relacionamentos terminam simplesmente porque não há respeito pela individualidade do outro. Ninguém é um objeto, um boneco, feito para nos servir!
Por isso as chamadas amizades verdadeiras são um bem (olha o termo capitalista, aí) tão precioso (outro! kkk)!!!
Outro dia, indo para o trabalho, encontrei um amigo na rua que vinha em sentido contrário de bicicleta e, mesmo à distância, fez questão de me chamar e dar um aceno. Ele poderia apenas ter poupado trabalho e fingido que não me viu, pra não ter de gritar (já tive "amigos "assim). E , de repente achei aquilo bacana e me emocionei ao constatar que ainda existem nesse mundo certos laços que independem do tempo, distância e interesses, como, p. ex., uma boa conversa, uma partida de xadrez, a vontade de ver o outro crescer como ser-humano e ser feliz...
Um abraço a todos os meus amigos de verdade, os antigos, os novos e os futuros (incluindo os inimigos de hoje, se houverem). Tenham certeza de que sempre estarei torcendo pela felicidade de vocês e, se possível, contribuindo. Nada me deixa mais contente do que o sorriso de vocês. Quando estamos em paz com a gente mesmo, isso abre espaço para estarmos em paz com os outros e afasta a possibilidade se guerra e competições em geral!
E sempre que eu passar ao longe, chamarei seu nome e acenarei!