segunda-feira, novembro 01, 2004

Busca

Há muitos anos, houve um monge muito velho e muito sábio (não que todo velho seja sábio ou vice-versa, muito menos que os 2 sejam monges).
Todo os dias, seus discípulos se acotevelavam para perguntar-lhe sobre os mistérios do universo. Uma coisa que sempre um deles lhe perguntava era:
"- Mestre, ao que vale a pena se prender?..." (Ao que sempre complementavam com algo que considerassem imprescindível).
"-... Deve o homem buscar a paz e o conforto?"
"- Nada há de errado em buscá-los. Mas se ele se apegar a isso, a guerra virá lhe procurar e seu conforto irá acabar. Há coisas a serem feitas antes de alcançar estes..."
"-...Por acaso, devemos nos prender à beleza da vida?"
E ele calmamente respondia:
"- Não. Pois que a vida é só um lado da moeda. O mundo é feito de vida e morte. E ambos podem ser belos ou terríveis!"
"- Nesse caso, mais certo é estarmos felizes pela nossa saúde?"
"- Não. Se depositas tua felicidade no fato de ter saúde plena, ao menor sinal de infecção ou desequilíbrio em ti, teu contentamento irá por água abaixo."
"- Nossa meta primordial deve ser ajudar as outras pessoas?"
"- Ajudar ao próximo é muito bom. Mas se fores preso, ficando incapacitado de estender tua mão, então teu objetivo se verá obliterado."
"- Mestre, sinto que todos os revezes podem ser suportados ,desde que eu tenha uma mão amiga para me apoiar. Será a amizade o bem mais precioso?"
"- O sentimento de amizade é um dos mais sublimes que há. Mas quando todos os teus amigos se forem e estiverdes sozinho no deserto. Que te restará?"
"- Aprender seria o mais importante de tudo?"
"- Aprender sempre é bom. Mas se, por acaso, tua cabeça for atingida por um obejeto pesado ou doença e tiveres tua inteligência e memórias irremediavelmente comprometidas... Uma vez mais, que te restará?"
"-Mestre, sei que não há júbilo na riqueza e nos bens materiais. Será o espírito a meta final?"
"- Vens levando uma vida de busca, crendo na existência e na permanência do espírito. Mas, se no fim de tua existência terrena descobrires que não há nada além do que vês, isso poderá te trazer tua derradeira desilusão..."
"- Então..."
"- Simplesmente lembra-te de não te prenderes demais às coisas efêmeras. Aproveita e desfruta de tudo o que é bom nesta vida: beleza, paz , conforto, riqueza, amigos, servir ao próximo, aprender, espiritualizar-se... Mas sabendo que tudo isto pode cessar... A única certeza que tenho é de que o amanhã pode ser sempre melhor que hoje. Mesmo que o mal venha, ele não irá durar para sempre.Mas não te preocupes demasiadamente com o futuro, nem com regras pré-estabelecidas. O caminhar é tudo. E a chegada é apenas uma parte do caminho..."
(Dos Livros de Le Vi Ta Tan)
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Em tempo. Quase todo mundo saia resmungando e xingando aquele velho que juntava mais um enigma às suas dúvidas...