domingo, janeiro 09, 2005

Dez por cento?

O lance da naúsea surge quando você adquire a noção de que o potencial dos seres-humanos é praticamente ilimitado, mas a maioria se contenta com a mediocridade. Costumo dizer que a distância que nos separa do nosso ancestral das cavernas é menor que a que separa um verme de uma bactéria! Ou o que são essas guerras? Gente passando fome? Esse desrespeito para com o semelhante (e o diferente inclusive)!
O homem (e a mulher tb) tem a capacidade de cruzar o espaço, alcançar as estrelas, mas se
preocupa mais com as estrelas de cinema e tv! É capaz de criar maravilhas (vc faz maravilhas c/ leite moça!) mas prefere destruir o que está ao seu redor para esconder suas próprias fraquezas! Pode usar sua inteligência para buscar responder a maioria dos mistérios do universo, mas prefere buscar a mesa de um bar e encher a cara de cerveja ou cachaça!
Às vezes parece que somos energia prestes a explodir, mas sempre contida por essa casca-prisão que chamam de corpo.
No momento em que escrevo estas linhas, não há tristeza (a não ser por aqueles que pagam o preço da nossa inércia) ou amargura. É mais aquele instinto que temos quando estamos famintos: devemos nos alimentar! Então, se eu sinto que posso ser bem mais (e todos podem), EU QUERO ser, ou, no mínimo, saber o que EU POSSO!
Pra finalizar, uma letra que diz muito para quem prestar atenção:
++++++++++++++++++++++++++++++
Ouro de Tolo
**************************************
Eu devia estar contente por eu ter um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês
E devia agradecer ao senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque
Eu consegui comprar um corcel 73
E devia estar alegre, satisfeito
Por morar em ipanema
depois de ter passado fome
Por dois anos , aqui, na cidade maravilhosa
Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada E um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente por ter conseguido
Tudo o que eu quis, mas confesso
Abestalhado que eu estou decepcionado
Porque foi tão fácil conseguir E agora eu me pergunto, e daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado
Eu devia estar feliz por o Senhor ter me concedido
Um domingo pra ir com a família no jardim zoológico
Dar pipoca aos macacos
Ah, mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogan
Eu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
Que só usa dez por cento de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor
Padre ou policial que está contribuindo com sua parte
Para o nosso belo quadro social
Eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas
Que separam os quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Acenda a sombra sonora de um disco voador
****************(Raul Seixas)