sexta-feira, abril 15, 2005

Esvaziando a xícara

Há muitos anos, na China, (como não podia deixar de ser), um homem recebeu a visita de um amigo de infância, que convidara para tomar chá e conversar. Fazia um longo tempo que não se encontravam e chegaram ao consenso que esta seria uma ótima oportunidade de trocar figurinhas (sem sacanagem, antes que alguém aí comente). Queriam apenas falar das experiências que tiveram no período em que estiveram afastados e mostrar ao outro o melhor chá que tinham em sua região.
Acontece que o visitante sentou-se à mesa e, enquanto era servido o chá, se pôs a falar e a falar e falar. Como não estivesse dando chance ao anfitrião de também contar sobre suas experiências, este começou a encher sem parar a xícara do outro com seu chá. Ao que o amigo reclamou:
- Ei, pare! Já chega! Você está derramando o chá na mesa toda. Além disso, a minha xícara ainda estava cheia do chá que eu trouxe...
- Eu sei, isso mostra que se você não esvaziar a sua xícara, não poderá provar do meu chá. Quanto mais houver resíduos, menos você conseguirá aproveitar o que eu lhe ofereço.
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Por vezes, nos preocupamos tanto em fazer que prevaleça nosso ponto de vista, que esquecemos de ouvir com atenção o que o outro tem a nos dizer. A nossa tendência, é usar criticamente de modo imediato aquilo que nossas experiências e reflexões nos trouxeram para julgar se algo é válido ou não. Esse tipo de ato reflexo é importante quando corremos perigo. Mas, quando se trata de aprender, pode ser um grande obstáculo. Perdemos, assim, grandes oportunidades de somar e dividir conhecimentos.
Isso não significa que devemos jogar tudo o que sabemos fora, apenas saber guardar para utilizar no momento mais adequado.
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Levi é um cara um tanto perturbado dos miolos. Por isso, apesar de seus textos de cunho filosófico, o mesmo NÃO pretende escrever um livro de auto-ajuda ! Sua esquizofrenia não o deixaria saber se está ajudando a si ou ao Tatan ou ao...