quarta-feira, julho 13, 2005

Os Homens de Conhecimento

Ultimamente ando numa fase (prolongada, diga-se de passagem) de busca por um lado meu de bruxo, que estava meio, não esquecido, mas deixado de lado, em virtude do acúmulo de trabalho e aulas na faculdade.Para tanto, estou relendo, pela enésima vez, a obra de Castañeda, começando pelo excitante A Erva do Diabo. Quem nunca leu, não faz idéia do que está perdendo...
A descrição das experiências relacionadas à realidade não-comum e os encontros com os chamados aliados (seres que são invocados durante o contato com as ervas e poder), prendem de tal forma o leitor, que é difícil não bater a vontade de saber qual a sensação de ver seu corpo desvanecer com o fuminho (humito) ou mesmo voar com os corvos (tornando-se um deles).
Uma pena que a maioria das pessoas se prenda mais ao prazer que tais ervas podem provocar do que ao conhecimento que pode advir delas (se bem que os relatos contidos no livro, falam muito mais de sensações de enjôo e dor de cabeça que de prazer sensorial).
Para mim, o grande barato está, não em fugir da "realidade", mas em penetrar nela a tal ponto que nada lhe seja misterioso, pelo menos, até onde isso é possível, para, assim, transcendê-la.
E para quem acha que os ensinamentos de Dom Juan nada tem de práticos (a não ser no óbvio e ululante), cito a passagem em que Carlos lhe pergunta se as suas perguntas constantes o aborrecem. Ao que o velho índio responde que raramente de aborrece, tendo em vista que para isso os atos das outras pessoas teriam de ter alguma importância (ensinamento que negligenciei nos últimos meses, mas que estou procurando estar mais atento daqui por diante).
Grande abraço e ótima semana a todos! Grato pelo carinho de sempre!